A Terapia da Fala não se destina apenas a quem tem dificuldade em pronunciar alguns sons. Ao longo da vida podem surgir alterações na comunicação, linguagem, fala, voz, leitura e escrita, alimentação ou deglutição que beneficiam de avaliação especializada.
Sinais que podem surgir em qualquer idade:
Independentemente da idade, vale a pena pedir aconselhamento quando existe uma alteração persistente ou uma mudança significativa na:
Comunicação
Dificuldade em compreender, expressar ideias, participar numa conversa ou comunicar de forma autónoma.
Fala
Sons trocados, omitidos ou distorcidos, fala pouco percetível ou dificuldade nos movimentos necessários para falar.
Linguagem
Dificuldade em compreender ou utilizar palavras, frases e discurso, oralmente ou por escrito.
Fluência
Repetições, prolongamentos, bloqueios ou esforço ao falar.
Voz
Rouquidão, perda de voz, esforço, dor ou cansaço ao falar.
Leitura e escrita
Dificuldades persistentes na aprendizagem, precisão, fluência ou compreensão da leitura e na escrita.
Alimentação e deglutição
Dificuldade em sugar, mastigar ou engolir, engasgamentos, tosse durante as refeições ou recusa persistente de determinadas consistências.
Respiração e funções orais
Respiração pela boca, alterações da posição da língua, mastigação, deglutição ou outras funções da musculatura da face e boca.
Sinais mais comuns por idades
Bebés e crianças pequenas | 0 aos 2 anos
Pode ser importante procurar um Terapeuta da Fala quando o bebé ou a criança:
tem dificuldade em mamar ou em coordenar a sucção, respiração e deglutição;
se cansa, tosse ou se engasga durante a alimentação;
demora muito tempo a comer;
tem dificuldade na transição para a colher, copo ou alimentos sólidos;
rejeita determinadas consistências ou texturas dos alimentos;
tem dificuldade em mastigar;
parece ter dificuldade em engolir;
baba excessivamente para a idade;
comunica pouco através de sons, gestos ou palavras;
não parece compreender palavras ou instruções simples adequadas à idade;
demora a começar a falar;
deixa de utilizar palavras ou competências comunicativas que já tinha adquirido.
Crianças em idade pré-escolar | 3 aos 5 anos
Nesta fase, pode justificar-se uma avaliação quando a criança:
fala pouco ou tem dificuldade em construir frases;
tem dificuldade em explicar o que aconteceu ou contar uma pequena história;
parece ter dificuldade em compreender perguntas ou instruções;
utiliza um vocabulário reduzido para a idade;
troca, omite ou distorce sons quando fala;
é difícil de compreender por pessoas fora da família;
repete sons, sílabas ou palavras, prolonga sons ou parece fazer esforço para falar;
apresenta uma voz frequentemente rouca;
respira habitualmente pela boca;
mantém a boca aberta em repouso;
apresenta dificuldades na mastigação ou deglutição;
é muito seletiva relativamente a alimentos, consistências ou texturas;
tem dificuldade em participar em conversas ou em utilizar a linguagem nas interações com outras pessoas.
Crianças em idade escolar | 6 aos 12 anos
Pode ser importante procurar avaliação quando a criança:
continua a trocar, omitir ou distorcer sons na fala;
tem dificuldade em compreender textos, perguntas ou instruções;
apresenta dificuldade em organizar ideias e expressar-se oralmente;
tem dificuldade em contar, resumir ou explicar acontecimentos;
aprende palavras novas com dificuldade;
troca, omite ou acrescenta letras quando lê ou escreve;
apresenta uma leitura lenta, pouco fluente ou com muitos erros;
tem dificuldade em compreender aquilo que lê;
apresenta erros de escrita persistentes;
tem dificuldade na consciência dos sons ou na estrutura das palavras;
apresenta dificuldades de aprendizagem relacionadas com a linguagem, leitura ou escrita;
gagueja ou evita determinadas palavras ou situações de comunicação;
apresenta rouquidão ou cansaço vocal frequentes;
respira predominantemente pela boca;
apresenta alterações da posição ou dos movimentos da língua, lábios ou mandíbula;
tem dificuldades de mastigação ou deglutição;
está a realizar, ou vai iniciar, tratamento ortodôntico e existem alterações da respiração, deglutição, mastigação ou postura da língua.
Adolescentes
A Terapia da Fala também pode ser importante na adolescência quando existe:
dificuldade persistente na articulação de determinados sons;
dificuldade em organizar e expressar ideias oralmente ou por escrito;
dificuldade na leitura, escrita ou compreensão de textos;
gaguez ou outras alterações da fluência;
desconforto ou ansiedade associados à forma de falar;
rouquidão frequente ou esforço ao falar;
uso intensivo da voz, por exemplo no canto, teatro, desporto ou outras atividades;
respiração predominantemente pela boca;
alterações da mastigação ou deglutição;
tratamento ortodôntico associado a alterações da postura da língua, respiração ou deglutição;
dificuldade em comunicar em situações sociais, escolares ou de apresentação oral.
Adultos
Um adulto pode beneficiar de avaliação em Terapia da Fala quando:
sente que tem dificuldade em encontrar as palavras ou organizar aquilo que quer dizer;
tem dificuldade em compreender o que lhe dizem;
apresenta alterações da leitura ou da escrita;
fala de forma menos clara do que anteriormente;
gagueja ou sente bloqueios ao falar;
apresenta rouquidão persistente;
sente esforço, dor, desconforto ou cansaço ao falar;
perde frequentemente a voz;
depende profissionalmente da voz, como acontece com professores, formadores, cantores ou outros profissionais;
tem dificuldade em mastigar ou engolir;
tosse ou se engasga quando come ou bebe;
sente que os alimentos ficam presos;
sofreu um AVC;
sofreu um traumatismo cranioencefálico ou outro acidente com consequências neurológicas;
foi submetido a cirurgia ou tratamento que afetou a fala, voz ou deglutição;
apresenta uma doença neurológica;
sente que uma dificuldade de comunicação está a interferir com o trabalho, relações pessoais ou participação social.
Séniores
Com o envelhecimento podem surgir mudanças na comunicação e na alimentação que não devem ser automaticamente atribuídas à idade.
Pode ser importante procurar um Terapeuta da Fala perante:
alterações recentes na capacidade de falar ou compreender;
dificuldade crescente em encontrar palavras;
dificuldade em manter ou acompanhar uma conversa;
alterações da leitura e da escrita;
redução da clareza da fala;
alterações da voz;
dificuldades de memória que interferem com a comunicação;
tosse ou engasgamento durante as refeições;
dificuldade em mastigar ou engolir;
refeições muito prolongadas;
alterações após AVC;
doença de Parkinson ou outras doenças neurológicas;
demência ou outras alterações cognitivas que afetem a comunicação;
perda de autonomia na comunicação do dia a dia.
Não é necessário esperar que uma dificuldade se torne grave para pedir uma avaliação. Quando existem dúvidas sobre o desenvolvimento ou sobre uma alteração da comunicação, alimentação ou deglutição, uma avaliação permite perceber se é necessária intervenção, acompanhamento ou apenas vigilância.